quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Crianças interessantes...


Só para começar o assunto, eu conheci a Debora, minha xará, há muito tempo atrás no Rio de Janeiro, porque frequentávamos a mesma igreja. Não éramos amigas, só conhecidas e, claro, tendo o mesmo nome, difícil a gente esquecer da pessoa mesmo após tanto tempo. Debora se mudou para os EUA há 16 anos atrás, e eu só sabia alguma coisa a respeito através da irmã da Debora, que era minha amiga. Bom, encurtando, mudamos para Charlotte, e Debora está morando aqui também, faz 2 anos e meio. Pelos nossos contatos no Rio de Janeiro, ela acabou sabendo que eu estava aqui e descobriu meu telefone com amigos em comum, e desde então temos mantido contato. Debora tem duas filhas lindas, Victoria e Julia, com 13 e 12 anos respectivamente. O pai das meninas é americano e não fala Português,isto é, entende algumas coisas, vocês sabem, depois de um tempo morando com brasileiras, eles acabam aprendendo um pouquinho. Assim que as encontrei, fiquei muito surpresa ao constatar que as meninas falam Português fluentemente, apesar de terem nascido e crescido aqui, irem à escola, terem amigos, etc. Eu tenho outras amigas que moram nos EUA há muito tempo e cujos filhos não falam absolutamente nada ou entendem um pouco, mas não falam Português.Estas duas meninas falam perfeitamente o Português - (aliás, têm um sotaque carioca acentuadíssimo : ) e também escrevem super bem. Em casa, só falam Inglês com o pai delas, mas como ele está sempre voando (comissário), elas passam mais tempo com a mãe. Notei também que mesmo em meio a outros americanos, se a mãe delas está por perto, só falam Português com a mãe, e as outras crianças sempre observam interessadas. Achei incrível o que Debora tem feito com estas meninas, pq eu não conheço nenhum outro caso assim, como disse acima, as crianças/adolescentes das minhas outras amigas não falam fluentemente ou mal falam. Uma das minhas amigas (a mais velha), tem uma filha de 18 anos, que falava um pouquinho de Português até ir para a escola, mas perdeu completamente e hoje se diz arrependida pq queria ser bilingue, acha que a mãe não se esforçou muito. Ela quer viajar e viver um tempo em Portugal, País da minha amiga, mas teme não conseguir se comunicar sozinha por lá.
Perguntei à Debora o que ela fez, e a resposta foi super simples. Perseverança! Além de conversar com as filhas o tempo todo, ainda as ensinava tb a escrever nas horas vagas, e nunca desistiu do processo.

Interessante também é que Debora não fica em casa, ela trabalha como professora em escola pública, cuida de uma casa imensa quase sozinha...é de se admirar. Outra coisa que me chamou muito a atenção é como estas duas meninas não são ligam para programas de tv, computadores, etc. Elas não têm tv no quarto, nem computadores. O acesso aos computadores fica no escritório, mas em horas marcadas. Televisão só nos finais de semana, filmes em familia. Elas têm um imenso quarto de brincar, com mil cestinhas, todas organizadas, cheias de canetinhas, lápis de cores, joguinhos, mil coisas interessantes para se criar. E o mais interessante é que elas adoram isso tudo! Mesmo no inverno as duas adoram brincar do lado de fora, jogam futebol, volei, etc. Fiquei chocada quando passei o dia na casa delas - chocada no bom sentido, mas como entender que elas sejam assim, ainda mais porque não vivem isoladas, vão à escola, têm vizinhas, amizades em vários lugares... certamente os amigos comentam sobre o que fazem nos computadores, sobre as coisas da tv...realmente impressionante. Perguntei a elas se não gostam de tv e computadores e elas disseram que gostam um pouco, mas preferem ainda mais criar coisas, brincar fora da casa, conversar, ler, etc. E tem muitos outros detalhes, que admirei também ao passar o dia com elas. No mundo de hoje, eu acho tão difícil encontrar crianças sendo criadas assim! Trabalhei ano passado em uma escola e sei bem o que digo. Tenho também enteados e os três não são e nem foram ao longo dos anos em que estou aqui, fáceis de se lidar e são completamente viciados em tv, video games e computadores. Nada mais é interessante para eles. Quantas vezes tentamos levá-los a algum lugar e eles preferiram ficar em casa em frente a alguma tela. Vício mesmo!

Vejam bem, não estou dizendo que estas meninas são perfeitas, porque isso não existe,claro. Elas são crianças normais, brigam uma com a outra, demoram para fazer alguma coisa que a mãe pede (mas obedecem), ficam de castigo às vezes...só queria contar que eu pensava que isso não existia mais no mundo de hoje, crianças que são crianças e levam uma vida desligada da tecnologia a maior parte do tempo, curtem coisas simples e criativas,fora o fato de falarem tão fluentemente a Língua estrangeira da mãe, tendo vivido sempre aqui. Eu achava que tudo isso era quase impossível, honestamente. A mãe das meninas faz o melhor que pode, e admiro isso.

Eu não tenho filhos e nem posso ter, mas mesmo quando achava que ainda poderia tê-los, já me preocupava como iria criá-los, e também como ensinar a Língua Portuguesa, lidar com esta coisa da tecnologia ao extremo, etc. Achava muito difícil conseguir sucesso em tudo e as vezes desanimava. Após tudo isso que tenho visto aqui, vejo que é possível. Ainda considero adotar uma criança no Brasil, nada certo nem decidido ainda, mas eu fiquei mais otimista sobre alguns receios. Se eu conseguir adotar, quero tentar fazer a mesma coisa que tenho visto nesta familia.

Quis compartilhar isso aqui porque coisas boas e positivas merecem ser ditas e repassadas, o mundo já é tão cheio de problemas e notícias ruins...mas nem tudo está perdido!

8 comentários:

Glau Nott disse...

Isso eh mt bacana mesmo que vc vivenciou. (Oi sou glau, prazer! acompanho teu blog, axo q eh a 1 vez q comento hehe)

As criancas provavelmente tb seguem o exemplo dos pais que provavelmente veem pouca tv tb. Otimas influencia!
Mae que ensinam o portugues fazem mt bem pois assim nao deixam a cultura e lingua brasileira morrer.

otimo post!

Gisley Scott disse...

Eu bato palma para a sua xará que não deixou a peteca cair e hj as meninas são bilíngües. Eu sei que não foi moleza, mas com ctz valeu apena :)!

O que tb gostei foi de saber que as meninas são super sociáveis e qdo ficarem mais crescidas isso vai ser uma diferença enorme.


Bjos!

Debora Rocha Muscutt. disse...

Oi, Gau, welcome!
Obrigada pelo recadinho! Também vou te "visitar", ok?
Um beijo pra vc!

Debora Rocha Muscutt. disse...

Pois é, Gi, minha xará perseverou e conseguiu ótimos resultados com as meninas! Eu tinha que compartilhar, porque elas são realmente especiais!
Bjss!!

birasblog disse...

Excelente!

Nani disse...

Dificil mesmo Debora de achar criancas assim, ou melhor, pais que eduquem os filhos. Olha, tb tenho esse pensamento de que devemos passar nossa lingua e cultura aos filhos. Conheco muitas maes que tentam mais acabam sendo vencidas pelo cansaco, porque a situacao eh diferente... por exemplo, uma trabalha full time e o pai eh quem fica com as criancas a maior parte do tempo falando ingles... em outra familia as criancas ficam a maior parte do tempo na escola... entao depende do quanto a mae se esforca ou se dedica. Te digo que eh dificil (mesmo nao tendo filhos tb) pois eu sei que muitas vezes eh mais facil falar ingles mesmo, ainda mais quando eh num ambiente onde soh ha ingles. Mas eu pretendo (quando tiver filhos, se os tiver), de me dedicar ao maximo a ensinar o portugues, e forca-los a falar.
Parabens pra sua amiga que teve sucesso na educacao dos filhos.

Elis disse...

Debora, bonita a experiencia, viu? Eh mesmo dificil de alcancar o que sua amiga faz. Claro que tb posso dizer que ha um pouco de sorte dela nessa experiencia toda. Ha muita gente que tenta, faz tudo direitinho e as coisas nao funcionam como o esperado. Mas, nao custa tentar.
Sobre adocao, houve um tempo em que eu pensei em adotar - ja cansada de todos os problemas e tentativas p conseguir engravidar - mas, foi ai que fiquei gravida e veio a Ana. Nao esqueci da ideia da adocao ainda. Acho que eh mto valido e quem sabe eu consiga convencer meu marido algum dia! Ele diz q ja ta velo demais e que agora quer viajar, aproveitar mais e que a Ana ja eh o suficiente ( ele tem 3 filhos agora e os dois primeiros ja sao adultos ). Os meus pais adotaram meu irmao quando eu tinha uns 15 anos e a minha irma, uns 13. Posso te dizer, afirmar que o amor eh o mesmo. Nao vejo nenhuma diferenca entre meu irmao e a minha irma e eu. Vale a pena!!

Tudo de bom p vc e espero que consiga adotar uma crianca do Brasil!!

Perdida no Bronx disse...

Eu sei bem o quanto e' dificil, pois meu filho mais velho (4 anos) tb tenta me enrolar e falar Ingles comigo, mas finjo que nao entendo ate que ele de um jeito de falar em Portugues (ainda que com palavras diferentes, ja que o vocabulario e' um pouco menor)
Ah, sou amiga da Aline e de vez em quando passo por aqui!
Bjs!

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